“MAGIA SEM LIMITES: O ENCANTO DO FEITICEIRO DE OZ NO TEATRO RIBEIRAGRANDENSE”

“MAGIA SEM LIMITES: O ENCANTO DO FEITICEIRO DE OZ NO TEATRO RIBEIRAGRANDENSE”

O palco do Teatro Ribeiragrandense, em São Miguel, transformou-se num portal de sonhos, inclusão e pura magia. O CACI (Centro de Atividades de Capacitação e Inclusão), Valência da Santa Casa da Misericórdia da Ribeira Grande, apresentou uma adaptação profundamente emocionante da intemporal história “O Feiticeiro de Oz”, protagonizada por jovens portadores de deficiência que, com coragem e talento, conquistaram por completo uma sala esgotada.

Desde o primeiro instante, o público foi transportado para uma viagem encantada pela ilha de São Miguel, onde a narrativa clássica se entrelaçou com paisagens e referências açorianas. A história começou nas místicas Furnas, onde Dorothy, aqui reinventada como uma jovem micaelense cheia de sonhos, se viu inesperadamente envolvida num assustador vendaval simbólico que a levou a procurar um caminho de regresso a casa. Ao seu lado foram surgindo as inesquecíveis personagens: o Espantalho em busca de sabedoria, o Homem de Lata desejoso de um coração e o Leão à procura de coragem — todos interpretados com uma entrega comovente.

À medida que avançavam pela ilha, as personagens enfrentavam desafios que espelhavam, com delicadeza e sensibilidade, as suas próprias vivências. Passaram pelo Cú de Judas, em Água Retorta, onde o som do mar e o vento criaram um ambiente de tensão e superação.

À volta da ilha foram confrontados com dúvidas e medos interiores, representados por sombras e vozes que ecoavam no palco, mas, juntos, descobriram que a verdadeira força residia na amizade e na união. Foi, então, que o Leão encontrou a sua coragem ao proteger os amigos de perigos imaginados, o Homem de Lata, por sua vez, revelou o seu coração ao demonstrar compaixão e empatia, enquanto o Espantalho surpreendia todos com soluções engenhosas, provando que a inteligência vai muito além das aparências, cenas que arrancaram lágrimas espontâneos.

O clímax da história deu-se no deslumbrante vale encantado das Sete Cidades, onde cores, luzes e música se fundiram num espetáculo visual arrebatador. Foi neste cenário mágico que encontraram o tão desejado Feiticeiro de Oz, que, tal como na história original, revelou que as qualidades que procuravam sempre estiveram dentro de si. Esta mensagem, simples mas poderosa, ecoou profundamente no público, reforçando o valor da autoaceitação e da inclusão.

A encenação da equipa do CACI, coordenada por Sónia Rangel, destacou-se não só pela criatividade e adaptação local, mas sobretudo pela autenticidade dos jovens atores. Cada gesto, cada palavra, cada expressão carregava uma verdade difícil de descrever, mas impossível de ignorar. Era mais do que teatro, era uma celebração da capacidade humana de superar limites, de sonhar e de brilhar.

No final, a ovação de pé que pareceu não ter fim. A plateia, visivelmente emocionada, aplaudia com entusiasmo e admiração, reconhecendo não apenas o espetáculo, mas o esforço, a dedicação e o amor que lhe deram vida. No palco, os jovens cantavam ruidosamente a música de Gilberto Gil e Preta Gil, “Ser diferente é normal”. Sorriam, radiantes, trocando olhares de cumplicidade e orgulho. Tinham conseguido algo verdadeiramente especial, ou seja, tocar o coração de todos os presentes.

Foi uma noite que ficará gravada na memória da Ribeira Grande, um testemunho de que a arte, quando feita com alma, tem o poder de transformar, unir e inspirar.